Uma moradora de Maringá colocou à venda o computador pessoal e uma máquina de costura que é relíquia de família para tentar cobrir o prejuízo causado após o marido perder quase R$ 6 mil em apostas no chamado Jogo do Tigrinho.
Segundo a mulher, que preferiu não se identificar, o dinheiro perdido incluía o salário do marido e parte das economias da família.
“Meu marido, sem me avisar, começou a jogar no Jogo do Tigrinho e perdeu quase R$ 6 mil, valor que usaríamos no mês para pagar nossas contas básicas, como aluguel, água, energia, internet, fazer mercado e comprar ração para nossos pets”, diz.
Ela afirma que não sabe há quanto tempo o marido vinha jogando. “Acredito que tenha começado recentemente, porque antes isso nunca tinha acontecido. Ele pode ter jogado uma vez, ganhado, voltado a jogar e perdido tudo. Também pode ter jogado várias vezes e acumulado prejuízos. Eu não sei, porque ele não me explicou ao certo por quanto tempo jogou, mas sei que foi no mês de janeiro”, diz.
Para enfrentar o rombo no orçamento, a mulher decidiu vender bens pessoais, incluindo uma máquina de costura antiga da marca Vigorelli, que pertenceu à avó e depois à mãe dela.
“Essa máquina de costura da marca Vigorelli, daquelas bem antigas, estilo ‘de vó’, era da minha avó. Depois passou para a minha mãe e, quando ela faleceu, em 2023, veio para mim como lembrança. Foi nela que minha mãe costurou minhas roupas e as dos meus irmãos, assim como minha avó fez as roupas da minha mãe e dos irmãos dela. É um objeto que carrega toda a história da nossa família e, infelizmente, vamos ter que nos desfazer dele por causa de um jogo que prejudicou a nossa família”, diz.
A relação do casal também ficou abalada. Mas pode ser restaurada, porque o marido aceitou que ela monitore o celular dele.
“Ele permitiu porque eu falei que queria terminar o relacionamento. Para mim, isso é um absurdo muito grande, é um tipo de traição. Ele traiu a nossa casa, traiu a nossa confiança e colocou em risco a nossa vida, porque é uma vulnerabilidade muito grande não ter recursos para viver”, desabafa.
Muitas plataformas de apostas online operam legalmente no Brasil e devem seguir regras estabelecidas pelo Ministério da Fazenda, incluindo mecanismos de prevenção à ludopatia, transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como doença caracterizada pela incapacidade de controlar o impulso de jogar, mesmo diante de prejuízos financeiros, sociais e emocionais.
A reportagem tenta contato com a plataforma do Jogo do Tigrinho, que está entre as plataformas legalizadas.
Apoio para dependentes
Em Maringá, há um grupo de apoio para dependentes de jogos online. As reuniões ocorrem às quartas-feiras, às 20h, e aos sábados, às 15h, na Igreja Divino Espírito Santo, localizada na Praça Monsenhor Bernardo Cnudde, na Zona 7. Durante o período de carnaval, os horários podem sofrer alterações. GMConline

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