Ministro afirma que relatórios da Polícia Federal foram usados indevidamente e pede investigação sobre origem dos documentos

O ministro André Mendonça reagiu às acusações feitas por Alexandre de Moraes e encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, pedido de arquivamento da representação contra si, afirmando que relatórios de inteligência da Polícia Federal teriam sido utilizados de forma indevida e classificados por ele como tentativa de intimidação.
Acusações e pedidos de Mendonça
Na manifestação dirigida a Fachin, Mendonça sustenta que os documentos apresentados por Moraes não trazem assinatura, data ou autoria identificada e que, por isso, têm valor probatório questionável. O ministro alega ter ocorrido "desvio de finalidade" na destinação do material, que teria sido produzido para outra finalidade e depois empregado para formular acusações sobre sua atuação em investigações envolvendo o Banco Master, fraudes no INSS e dados relativos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre as solicitações encaminhadas a Fachin, Mendonça pede o arquivamento da representação, o reconhecimento da ilicitude dos relatórios usados contra ele, que seja apurada a autoria e as circunstâncias de produção dos documentos, e que sejam avaliadas possíveis responsabilidades por abuso de autoridade e denunciação caluniosa. O ministro também requereu acesso integral aos autos do Inquérito das Fake News, argumentando que sua inclusão no procedimento passou a ser empregada para fins diversos dos que motivaram a investigação.
Contexto e repercussões no Supremo
O episódio ampliou a tensão interna no STF e recolocou no debate imagens divulgadas que mostram Alexandre de Moraes e sua esposa desembarcando de um jatinho ligado a Daniel Vorcaro, vídeo datado de 22 de agosto de 2025, segundo as reportagens citadas. A assessoria da advogada citada declarou que contrata serviços de táxi aéreo e que, em alguns voos, foi acompanhada pelo marido, e negou a presença de Vorcaro nesses voos. Relatórios e documentos apontando relações entre empresas ligadas a Vorcaro e serviços de transporte aéreo usados por escritório da esposa de Moraes também passaram a integrar a discussão, sem que isso, por si só, constitua prova de ilegalidade.
Houve divisão entre os ministros sobre a tramitação dos procedimentos: Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação dos casos, enquanto Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam sua análise conjunta. O ministro Flávio Dino pediu vista, interrompendo a análise. Fachin deverá decidir sobre os pedidos apresentados por Mendonça.
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