A Polícia Civil do Paraná (PCPR) detalhou, nesta segunda-feira, 6, como ocorreu a inclusão de Antônio Buscariollo, de 67 anos, e do filho dele, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 23 anos, na Difusão Vermelha da Interpol. Os dois são apontados como os principais investigados pela chacina que deixou quatro mortos em uma propriedade rural de Icaraíma, no noroeste do Paraná, em agosto de 2025, e seguem foragidos.
A confirmação da inclusão na lista internacional de procurados já havia sido divulgada pelo delegado Thiago Andrade Inácio, responsável pelo inquérito. Agora, diante dos questionamentos recebidos sobre o procedimento, a Polícia Civil divulgou uma nota explicando todas as etapas legais necessárias para que os nomes dos investigados fossem inseridos oficialmente no sistema da Interpol.
Segundo a corporação, o processo começa com a representação da autoridade policial ao Poder Judiciário, acompanhada do compromisso formal de requerer a extradição dos investigados caso eles sejam localizados e presos em outro país.
Após a autorização judicial, a decisão é encaminhada à Polícia Federal, que atua como autoridade central brasileira responsável por encaminhar o pedido à Interpol. Somente depois da conclusão de todas essas etapas ocorre a inclusão oficial dos foragidos na Difusão Vermelha.
De acordo com a Polícia Civil, todo o procedimento legal e administrativo foi concluído, e Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo já constam oficialmente na lista internacional de procurados.
Na prática, a inclusão amplia o alcance das buscas e permite que autoridades policiais de diversos países possam localizar e prender os investigados, caso eles estejam fora do Brasil. Se isso ocorrer, o governo brasileiro poderá solicitar formalmente a extradição para que ambos respondam à Justiça brasileira.
Quase um ano de buscas
Os dois investigados tiveram a prisão preventiva decretada em 8 de agosto de 2025, três dias após o crime, e permanecem foragidos desde então. Mesmo após diversas diligências realizadas pela Polícia Civil ao longo dos últimos onze meses, nenhum dos suspeitos foi localizado. O inquérito segue sob sigilo.
Em nota, a PCPR reafirmou o compromisso de esclarecer completamente o caso e localizar os investigados.
“A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a elucidação integral dos fatos, a responsabilização dos envolvidos e a cooperação com os órgãos nacionais e internacionais de persecução penal, permanecendo empenhada na localização e captura dos foragidos”, informou a corporação.
Relembre o caso
Segundo as investigações, a motivação do crime estaria relacionada a um impasse envolvendo a negociação de uma propriedade rural de aproximadamente cinco alqueires, avaliada em cerca de R$ 750 mil, no distrito de Vila Rica do Ivaí, em Icaraíma.
A Polícia Civil apurou que Alencar Gonçalves de Souza Giron teria adquirido o imóvel mediante um pagamento inicial de R$ 255 mil, ficando o restante condicionado à aprovação de um financiamento bancário. Como o crédito não foi liberado, as partes firmaram um distrato para a devolução do dinheiro, que, conforme o inquérito, não teria sido cumprido.
A cobrança dos valores teria motivado Alencar a retornar à propriedade acompanhado de Diego Henrique Affonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira. De acordo com laudos da Polícia Científica, os quatro homens foram executados por volta das 12h30 do dia 5 de agosto de 2025 com disparos de armas de calibres diferentes, indicando a participação de mais de um atirador.
Onze meses após a chacina, os principais investigados continuam foragidos. Com a inclusão na Difusão Vermelha da Interpol, as buscas passam a contar também com a cooperação das forças policiais internacionais, ampliando as possibilidades de localização e prisão dos suspeitos. GMConline

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