O Maio Laranja chama a atenção da sociedade para uma realidade grave e ainda persistente: a violência sexual contra crianças e adolescentes. A campanha ganha força no dia 18 de maio, data que recorda o caso da menina Araceli, símbolo da luta por justiça, proteção e cuidado com a infância.
Segundo dados citados pela Revista Maringá Missão, milhares de casos são registrados todos os anos no Brasil, mas muitos ainda permanecem ocultos, principalmente quando a violência ocorre dentro do próprio convívio familiar. Por isso, falar sobre o tema é essencial para romper o silêncio e construir ambientes mais seguros para crianças e adolescentes.
Para Renata Dias, coordenadora arquidiocesana da Pastoral do Menor, a campanha é um chamado à responsabilidade coletiva.
“É um alerta para toda a sociedade sobre a necessidade de combatermos a violência sexual contra crianças e adolescentes”, afirma.
Nesse contexto, a família tem papel central. Lúcia Catto, do Colegiado do Conselho Tutelar Centro-Sul de Maringá, reforça a importância do diálogo, da confiança e da escuta atenta. Ela lembra que qualquer pessoa pode procurar o Conselho Tutelar ou utilizar canais de denúncia, inclusive de forma anônima.
“A denúncia é um ato de proteção. Não é necessário ter provas, a suspeita já é suficiente para que os órgãos competentes apurem”, orienta.
A atenção aos sinais também é indispensável. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo, tristeza repentina ou resistência a determinados ambientes e pessoas podem indicar situações de violência.
A psicóloga Patrícia Akemi Michiyori, do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA), explica que muitas vítimas não conseguem falar imediatamente sobre o que estão vivendo.
“O silêncio muitas vezes não é uma escolha, mas uma forma de autoproteção diante do trauma”, afirma.
A especialista destaca ainda que a educação sobre o corpo deve começar cedo, fortalecendo a autonomia, a segurança e a capacidade da criança de reconhecer situações inadequadas. O diálogo aberto, inclusive sobre o ambiente digital, é uma ferramenta essencial de prevenção.
Além da família, a Igreja também exerce papel importante nesse cuidado. Por meio de ações formativas e de orientação, a Pastoral do Menor contribui para conscientizar e apoiar a comunidade.
“Cuidar da inocência da infância é proteger o futuro da nossa sociedade”, afirma Renata Dias.
Proteger crianças e adolescentes é uma responsabilidade de todos. Romper o silêncio, acolher e denunciar são passos essenciais para garantir que meninos e meninas cresçam com dignidade, segurança e esperança.
Como denunciar
Disque 100 — Brasil
Disque 181 — Paraná
Disque 125 — Maringá
Conselho Tutelar da sua região
Delegacias especializadas, como o NUCRIA, ou Delegacia da Polícia Civil da sua cidade
Aplicativo S-A-B-E
Siga a Pastoral do Menor: @pamenmga
Crédito – Texto: Fabiana Ferreira / Revista Maringá Missão
Fonte – Revista Maringá Missão, edição 316, maio de 2026

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