O escritório Pozzobon Advogados anunciou, nesta segunda-feira (25), que assumiu a representação jurídica de Thaís Lacerda, vítima sobrevivente de uma brutal tentativa de feminicídio ocorrida em Maringá, no dia 4 de junho de 2025. O agressor, José Rodrigo Bandura, jogou álcool etílico no corpo da então companheira e ateou fogo com um isqueiro, causando queimaduras de terceiro grau no rosto, na cabeça e no tórax da vítima.
Thaís precisou ser internada em UTI e passou por cirurgia. Portanto, a gravidade das lesões não deixa dúvidas sobre o risco de morte que ela enfrentou.
No entanto, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) desclassificou o crime de tentativa de feminicídio qualificado para lesão corporal grave, sob o argumento de “arrependimento eficaz” do agressor. Os desembargadores Miguel Kfouri Neto, Mauro Bley Pereira Junior e Rotoli de Macedo concluíram que Bandura teria auxiliado a vítima após o ataque — o que, segundo a advogada da acusação, não corresponde ao que as imagens registradas mostram.
| “Temos a convicção de que a decisão não condiz com aquilo que realmente o José fez. Se houvesse uma análise mais minuciosa, principalmente do vídeo, seria possível perceber que, assim que ele ateia fogo na Thais e ela tenta se aproximar da água para apagar as chamas, ele a puxa e a derruba”, afirmou anteriormente a advogada Josiane Monteiro, que representou Thaís em um primeiro momento.
Além disso, câmeras de segurança registraram o momento em que Bandura derrubou e imobilizou a vítima enquanto ela tentava apagar as chamas correndo em direção à piscina. Ela só conseguiu se salvar ao se arrastar até a água e se trancar em um banheiro até a chegada da polícia. O agressor também mentiu inicialmente às autoridades, afirmando que a vítima havia se queimado sozinha.
Com a nova representação, o escritório Pozzobon Advogados afirma que adotará, com máxima urgência, todos os recursos cabíveis perante o STJ e o STF para restabelecer a tipificação de tentativa de feminicídio qualificado. Conforme a nota oficial assinada pela advogada Thayse Cristine Pozzobon (OAB/PR 88.031), a decisão do TJPR “afasta-se da realidade dos autos” e fragiliza a rede de proteção às mulheres.
| “A valoração do dolo e das provas pertence soberanamente ao Tribunal do Júri, juízo natural dos crimes dolosos contra a vida, conforme a Constituição Federal. Afastar este caso do Conselho de Sentença fragiliza a rede de proteção às mulheres”, diz o documento.
O Ministério Público do Paraná, por sua vez, informou que avalia a possibilidade de recorrer da decisão. Em consequência da desclassificação, a pena máxima aplicável caiu de mais de seis anos para cinco anos. Vale lembrar que Bandura já respondeu a oito processos anteriores por violência doméstica — todos arquivados.
Em fevereiro deste ano, Thaís Lacerda foi uma das homenageadas em um ato de conscientização social em Maringá, no Dia Municipal de Combate ao Feminicídio, celebrado em 24 de fevereiro. Hoje Maringá

إرسال تعليق