O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o pastor Éder Carlos Furlan e o também pastor Cícero Aparecido Fernandes, ambos de Maringá, a 14 anos de prisão em regime fechado por atuarem como financiadores dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A sentença determina ainda que cada um pague R$ 30 milhões por danos morais coletivos.
Os dois são membros da Igreja Centro Internacional de Avivamento (CIA), fundada em Maringá. Éder Furlan é apontado como um dos fundadores da instituição. Cícero Fernandes, que atuava como presbítero, tornou-se pastor em dezembro de 2025.
A condenação foi proferida pela Primeira Turma do STF, por unanimidade, em 1º de dezembro de 2025, com base em ação penal relatada pelo ministro Alexandre de Moraes. Os réus foram considerados culpados pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. A defesa recorreu, mas os recursos foram rejeitados pelo relator. Em 6 de abril de 2026, foi determinado o trânsito em julgado — o que encerra definitivamente a possibilidade de novos recursos.
Como os dois foram identificados
Segundo o documento da sentença, Éder e Cícero foram identificados a partir de um levantamento conduzido pela Polícia Federal junto a empresas de transporte do Paraná que deslocaram ônibus para Brasília às vésperas dos ataques. A investigação concluiu que os dois organizaram e financiaram dois ônibus que transportaram 84 pessoas de Maringá até o Distrito Federal para participar dos atos.
Para ocultar a origem dos recursos, utilizaram nomes de terceiros e de empresas de fachada nos contratos de locação dos veículos. Cícero foi responsável pelas negociações com as transportadoras, pelo recebimento de doações via PIX e pela elaboração das listas de passageiros. Éder, por sua vez, mobilizou participantes por meio de vídeos e mensagens nas redes sociais e era figura de destaque no acampamento intervencionista instalado em frente ao Tiro de Guerra de Maringá.
Ambos confessaram sua participação durante o processo e admitiram frequentar o acampamento diariamente, onde manifestavam inconformismo com o resultado das eleições de 2022 e defendiam a recontagem dos votos.
Situação atual
Apesar da condenação definitiva, Éder Furlan e Cícero Fernandes ainda não foram presos e aguardam os trâmites judiciais para o início do cumprimento da pena. A defesa dos condenados optou por não se manifestar sobre a decisão. Diniz Neto

Postar um comentário