A rede municipal de ensino de Maringá decidiu usar planejamento para solucionar um dos problemas mais delicados da escola pública. Depois de um cronograma de reuniões, capacitações internas e alinhamento entre professores, equipes pedagógicas e servidores de todos os setores, o município consolidou uma política pública estruturada de acolhimento e inclusão de autistas e neurodivergentes.
A jornada interdisciplinar, realizada neste dia 4 de fevereiro, foi a etapa final de um processo que reorganiza práticas, rotinas e mexe com a cultura do funcionamento das unidades escolares do município de Maringá.
A proposta vai muito além da matrícula ou do discurso sobre inclusão. A meta é preparar a escola para receber cada criança com método, técnica e acompanhamento contínuo.
Cerca de 7 mil profissionais participaram do encontro que fechou esse ciclo de formação, com especialistas de renome internaciomnal e nacional em saúde mental, neurodesenvolvimento e educação inclusiva. O foco foi claro: transformar conhecimento científico em prática cotidiana de sala de aula durante o ano letivo de 2026.
Inclusão que beneficia todos
O planejamento não se restringe a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou outras neurodivergências. A lógica adotada parte de um princípio simples: quando o ambiente escolar é mais organizado, previsível e acolhedor, toda a turma aprende melhor.
Ao reduzir crises, desregulações emocionais e conflitos, o professor ganha tempo real de ensino. A sala fica mais estável. O rendimento coletivo melhora.
Essa visão define a iniciativa como uma nova metodologia da rede para ampliar o acolhimento das crianças e dar suporte também às famílias e comunidades.
O professor no centro da estratégia
Para a secretária municipal de Educação, Adriana Palmieri, o resultado depende de quem está na ponta.
“O profissional da sala de aula é quem acompanha o desenvolvimento. Ele é o técnico responsável por observar como a criança evolui. A inclusão é um desafio diário.”
A orientação é prática: observar, identificar dificuldades e adaptar estratégias antes que o problema cresça.
Tempo de ensinar, menos crises
O neuropediatra Carlos Gadia, referência internacional em autismo, defendeu que intervenções simples e precoces mudam a dinâmica da classe inteira.
“Quando o professor dedica um pouco mais de atenção, a criança se regula. Ela chora menos, grita menos. No fim, sobr
Segundo ele, a inclusão bem conduzida não atrapalha a turma — ao contrário, melhora o ambiente coletivo.
Permanecer é o verdadeiro desafio
A educadora e escritora Ana Kaffa lembrou que matricular não é suficiente.
“Incluir é fácil. O difícil é garantir que a criança permaneça na escola, pertencendo àquele espaço.”
Ela defende recursos lúdicos, literatura e estratégias de vínculo como ferramentas para fortalecer esse sentimento de pertencimento.
Saúde mental na pauta
A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva destacou que não há aprendizagem sem equilíbrio emocional.
“Quando falamos de saúde mental, falamos de pertencimento. E pertencimento tem a ver com acolhimento.”
Ela destacou que saúde mental finalmente chegou à escola, o que é relevante, fundamental para a educação.
Mais que evento, uma mudança de cultura
O que Maringá está propondo é mais rotina: protocolos, formação permanente, apoio técnico e integração com as famílias. Uma estrutura que tenta devolver à escola algo antigo, mas muitas vezes esquecido — atenção individual, método e presença.
Em vez de ações isoladas, a rede aposta em continuidade. E na convicção de que, quando a escola aprende a acolher melhor os mais vulneráveis, todos avançam juntos. Hoje Maringá

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