Golpe do bilhete premiado continua fazendo novas vítimas


 O golpe do bilhete premiado, uma fraude registrada no Brasil desde o início do século 20, continua fazendo novas vítimas, principalmente idosos, e provocando prejuízos milionários em São Paulo. O esquema utiliza encenação, pressão emocional e promessas de ganhos fáceis para convencer as vítimas a entregar grandes quantias em dinheiro.


A prática costuma envolver ao menos dois criminosos. Um deles afirma ser dono de um bilhete premiado de loteria, mas diz não poder receber o valor por motivos religiosos ou éticos. O comparsa surge em seguida, fingindo ser um desconhecido, e reforça a falsa história, chegando a simular ligações para supostos funcionários da Caixa Econômica Federal para “confirmar” o prêmio.


Em um dos casos recentes, câmeras de segurança registraram a atuação dos irmãos Luiz Cláudio dos Santos e Paulo Cézar dos Santos, que enganaram um idoso de 88 anos em São Paulo. Convencida de que receberia um bilhete premiado, a vítima entregou R$ 70 mil e recebeu apenas um envelope com papéis picados.


Outras ocorrências incluem uma vítima que contraiu empréstimo de R$ 100 mil após ser persuadida por duas mulheres e uma falsa psicóloga, e uma idosa de São José dos Campos que perdeu R$ 3,25 milhões em depósitos realizados ao longo de um mês, comprometendo todas as economias e assumindo dívidas bancárias.


Segundo especialistas, os golpistas escolhem locais próximos a agências bancárias e exploram a vulnerabilidade emocional das vítimas, reduzindo sua capacidade de resistência. O sentimento de vergonha após o golpe frequentemente impede que os casos sejam denunciados.


A Polícia Civil investiga uma família especializada nesse tipo de fraude, com registros desde 2009. Até dezembro de 2025, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) contabilizou 382 ocorrências em São Paulo, número que pode ser maior devido à subnotificação.


A Caixa Econômica Federal reforça que não confirma prêmios por telefone ou internet, apenas presencialmente nas agências. A Febraban orienta que nenhuma quantia seja entregue a desconhecidos e que todas as tentativas de golpe sejam comunicadas às autoridades. Hoje Maringá

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